Na minha (e sempre) humilde opinião, a era de ouro dos Titãs ocorreu quando tinha Arnaldo Antunes em sua formação. O cara manjava das coisas, sabe? Boas letras, boas sacadas, muita sagacidade. Depois que ele saiu da banda (ou foi expulso, depende da versão), os Titãs entraram em declínio, tornando-se o que são hoje: uma banda medíocre.

Arnaldo é um cara esperto

Arnaldo é um cara esperto (clique p/ ampliar)

Arnaldo Antunes, por sua vez, engatou uma carreira solo que agradou a crítica especializada. Digo a crítica especializada porque a música que Antunes faz não é o tipo de coisa que pode ser facilmente digerida pela população em geral. Por favor, não me entendam mal, não estou falando de forma pejorativa. Apenas quero dizer que ele faz música complicada, repleta de poesia construtivista, muito cult e tal. Entende? Tipo, o cara é fã do Manoel de Barros, então já dá para entender o tipo de música que ele produz.

Entretanto, parece que de um tempo para cá, Arnaldo Antunes tem feito um esforço para se simplificar, se popularizar. O primeiro passo, ao meu ver, foi a parceria com Carlinhos Brown e Marisa Monte em torno dos Tribalistas. Pessoalmente, odiei o trabalho. Detesto música popular brasileira. Mas não dá para negar que eles acertaram em cheio, fazendo música com letras simples e grudentas, melodias agradáveis aos ouvidos e aqueles batuques bem brasileiros. Ponto para eles.

Agora, Arnaldo Antunes retoma o caminho da simplicidade e lança o álbum Iê Iê Iê. São 12 faixas nas quais o artista nos remete aos anos 50 e 60. Bem Beatles em início de carreira, sabe? O álbum passeia pela surf music, pelo twist e pela jovem guarda. Também vale destacar a participação do célebre guitarrista Edgar Scandurra (Ira!) na gravação do trabalho.

Iê Iê Iê de Arnaldo Antunes

Iê Iê Iê de Arnaldo Antunes (clique p/ ampliar)

Eis um faixa a faixa da parada:

01) Iê Iê Iê = Faixa que dá nome ao álbum. Muito gostosa de ouvir. Rimas bobinhas, mas super divertidas. Aliás, não espere seriedade desse álbum. Esse é um disco para se divertir.

02) A Casa é Sua = Segue na mesma linha da faixa 01. A letra é muito bonitinha, romântica e quase inocente. Lembra bem os Beatles de canções como Help e I Wanna Hold Your Hand.

03) Aonde Você For = Essa dá para dançar. Twist, sacas? Meio jovem guarda também. Bem bacana.

04) Vem Cá = Começa com guitarrinha wah wah. Tem uns tecladinhos também. Bacana pacas. Mais uma letra super simples, mas bem legal. É o tipo de música que dá para tocar numa festinha para criar um clima legal para bate-papo.

05) Longe = Um lance mais acústico, mas intimista. Romântico e brega, hiper cafona. Mas acho que a intenção dele era essa mesmo.

06) Invejo = Acho que segue a mesma linha da faixa 05. Tem um clima bem breguinha. Parece música de zona, sabe?

07) Envelhecer = Sei lá, achei meio parecida com a faixa 01. Nada demais, nada diferente das outras. Uma reflexão interessante. Só.

08) Sua Menina = Mais uma bem acústica. Parece que tem um bandolim e tal. Bem paradinha, me deu sono.

09) Um Kilo = Bem jovem guarda. Linha de bateria bem legal. Tecladinho bem sessentista. Mais uma para tocar em festinha.

10) Sim ou Não = Surf music, baby. A introdução até me lembrou os primeiros álbuns do Ultraje a Rigor, que curtia esse estilo.

11) Meu Coração = Puts, achei essa música bem chatinha. Sem graça que só.

12) Luz Acessa = O álbum fecha como começou. Mais do mesmo. Divertidinha, romântica e boba.